
Não foi um dia dramático.
Não teve um momento específico.
Nenhuma decisão consciente.
Nenhuma cena marcante.
Você não acordou e disse:
“Hoje eu vou desistir de mim.”
Não.
Foi mais sutil do que isso.
Foi um processo silencioso
Foi quando você começou a se adaptar demais.
A aceitar o que não queria.
A engolir o que sentia.
A se calar para evitar conflito.
A dizer “tanto faz” quando, na verdade, não era.
Foi quando você começou a escolher o confortável… em vez do verdadeiro.
E, pouco a pouco… foi se afastando de si mesma.
Pequenas concessões que custaram caro
Não foi uma grande renúncia.
Foram pequenas.
Você deixou de dizer o que pensava
Deixou de tentar de novo
Deixou de acreditar em algo que queria
Deixou de se priorizar
Deixou de insistir em você
E cada vez que isso acontecia… uma parte sua ficava para trás.
O momento em que você começou a se abandonar
Talvez tenha sido quando você se decepcionou muito.
Ou quando tentou e não deu certo.
Ou quando alguém te fez acreditar que você não era suficiente.
Ou quando a vida ficou pesada demais… e você decidiu apenas sobreviver.
E ali, sem perceber, você fez um acordo silencioso:
“É melhor não esperar tanto de mim.”
Você continuou vivendo… mas não inteira
Você seguiu.
Cumpriu suas responsabilidades.
Cuidou de quem precisava.
Resolveu o que tinha que resolver.
Por fora, tudo parecia normal.
Mas por dentro…
algo ficou adormecido.
A versão sua que ficou para trás
Existe uma versão sua que ainda lembra:
- do que você sonhava
- do que você queria construir
- da pessoa que você acreditava que poderia ser
Mas essa versão foi sendo silenciada.
Não porque morreu.
Mas porque foi ignorada por tempo demais.
O desconforto que você sente hoje tem origem nisso
A sensação de vazio… a inquietação… a falta de clareza… não são falta de capacidade.
São sinais.
Sinais de que você se afastou de si.
O perigo de se acostumar
O mais preocupante não é desistir.
É se acostumar com isso.
É viver uma vida “ok”… mas que não te representa.
É aceitar uma versão reduzida de quem você é como se fosse o máximo possível.
A verdade que precisa ser dita
Você não perdeu quem você era.
Você apenas parou de acessar.
E tudo o que foi deixado… pode ser retomado.
O ponto de reencontro
Existe um momento em que algo dentro de você desperta.
Uma frase.
Um incômodo.
Uma reflexão.
E você percebe:
“Eu não posso continuar assim.”
Esse momento não é o fim.
É o início.
O caminho de volta
Voltar para si não exige perfeição.
Exige decisão.
Decisão de:
- se escutar novamente
- se priorizar
- retomar o que foi abandonado
- parar de viver no automático
- A pergunta que muda tudo
Se você pudesse voltar ao ponto onde se abandonou… o que você faria diferente?
Porque no final… Não existe nada mais doloroso do que viver distante de quem você realmente é.
Mas também não existe nada mais poderoso do que decidir voltar.
Marcos Mazullo
Mentor e Psicoterapeuta CRT 46479




