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    Cidades

    Governo estuda conceder trechos das BRs 101 e 304 no Rio Grande do Norte

    Projeto poderá atrair investimentos privados para manutenção, segurança e duplicação das rodovias, mas ainda não há decisão sobre pedágios, tarifas ou cronograma
    Redação do PortalFonte: Redação do Portal4 de agosto de 2026Nenhum comentário
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    O Governo Federal iniciou estudos para avaliar a possível concessão à iniciativa privada de trechos das BRs 101 e 304 localizados no Rio Grande do Norte. As duas rodovias integram corredores estratégicos que conectam Natal, João Pessoa, Mossoró e Fortaleza.

    A proposta ainda se encontra na fase inicial de análise. Isso significa que a concessão não está aprovada e que ainda não existe autorização para cobrança de pedágio.

    Também permanecem indefinidos o valor das tarifas, a localização das praças, as obras obrigatórias, o volume de investimentos e a data de um eventual leilão.

    Os estudos técnicos, econômicos e ambientais são conduzidos pelo Ministério dos Transportes e pela Agência Nacional de Transportes Terrestres, em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. A previsão oficial é de que essa etapa seja concluída somente depois de 2026.

    Quais trechos do Rio Grande do Norte estão sendo avaliados

    No território potiguar, os estudos abrangem:

    • a BR-101 entre Parnamirim e a divisa com a Paraíba;
    • a BR-304 entre Parnamirim e a divisa do Rio Grande do Norte com o Ceará.

    A BR-101 integra um corredor mais amplo, com aproximadamente 1.835 quilômetros, desde a divisa do Espírito Santo com a Bahia até o entroncamento com a BR-304, na Região Metropolitana de Natal.

    Esse corredor atravessa Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte.

    O segundo eixo reúne a BR-304 entre o Rio Grande do Norte e o Ceará e sua conexão com a BR-116. A proposta forma um corredor entre Natal e Fortaleza e amplia a integração rodoviária com o interior cearense.

    Somados, os corredores em avaliação nos diferentes estados alcançam aproximadamente 2.368 quilômetros.

    Em planejamento anterior divulgado pela ANTT, o lote que conecta João Pessoa, Natal e Fortaleza possuía 732 quilômetros e reunia trechos das BRs 101, 304 e 116. Como a modelagem continua em desenvolvimento, a configuração final ainda poderá sofrer modificações.

    Concessão não significa privatização da rodovia

    Em uma concessão, a rodovia continua pertencendo à União. O que é transferido temporariamente para uma empresa privada é o direito de administrar, operar e conservar o trecho, conforme as obrigações estabelecidas em contrato.

    Caso o projeto avance e uma concessionária seja contratada, ela poderá assumir serviços como:

    • recuperação e conservação do pavimento;
    • manutenção dos acostamentos;
    • sinalização horizontal e vertical;
    • atendimento médico e mecânico aos usuários;
    • remoção de veículos;
    • monitoramento do tráfego;
    • implantação de bases operacionais;
    • duplicações e faixas adicionais previstas no contrato.

    A empresa recupera seus investimentos principalmente por meio da cobrança de pedágio. Por isso, a qualidade da modelagem é determinante para equilibrar dois interesses: garantir as obras necessárias e evitar que o usuário suporte uma tarifa desproporcional.

    Pedágio ainda não foi definido

    A possibilidade de cobrança de pedágio deverá concentrar grande parte do debate público sobre o projeto.

    Até o momento, não foram informados:

    • número de praças;
    • municípios onde seriam instaladas;
    • valores das tarifas;
    • formas de pagamento;
    • descontos para usuários frequentes;
    • regras de cobrança eletrônica;
    • condições para início da arrecadação.

    A própria ANTT registra que tarifa, investimentos previstos, custos operacionais e taxa de retorno ainda estão em estudo. A audiência pública também não foi realizada.

    Antes de uma eventual licitação, a proposta deverá passar por etapas de consulta e participação social. Será nesse momento que moradores, transportadores, empresários, governos locais e entidades representativas poderão questionar valores, localização das praças e cronograma de investimentos.

    Um dos pontos que exigirá atenção será a relação entre o início da cobrança e a entrega das melhorias. Em concessões rodoviárias, as obras de maior porte geralmente seguem um cronograma próprio e podem começar apenas depois dos primeiros anos de contrato.

    Segundo o Ministério dos Transportes, duplicações e faixas adicionais costumam ser iniciadas a partir do terceiro ano da concessão. Portanto, será essencial que o futuro edital apresente metas claras, prazos fiscalizáveis e punições para eventuais descumprimentos.

    BR-304 é uma das principais rotas da economia potiguar

    A BR-304 é a principal ligação terrestre entre Natal e Mossoró, as duas maiores cidades do Rio Grande do Norte. A rodovia também conecta o estado ao Ceará e atende municípios importantes do interior potiguar.

    Por ela circulam trabalhadores, estudantes, turistas, pacientes, ônibus intermunicipais e grande parte da produção econômica do estado.

    A estrada é fundamental para atividades como:

    • fruticultura irrigada;
    • produção de sal;
    • indústria petrolífera;
    • mineração;
    • energia renovável;
    • comércio;
    • transporte de alimentos;
    • turismo;
    • exportações.

    Segundo a Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte, mais de 90% das cargas do estado são transportadas pelo modal rodoviário.

    Para a entidade, a melhoria das BRs poderá reduzir custos logísticos, aumentar a segurança, elevar a previsibilidade das viagens e fortalecer a competitividade das empresas potiguares.

    O impacto, entretanto, dependerá do equilíbrio entre os investimentos realizados e o custo do pedágio. Tarifas elevadas também podem encarecer fretes, passagens e produtos vendidos ao consumidor.

    Duplicação da BR-304 já possui obras públicas

    A discussão sobre a concessão acontece enquanto o Governo Federal executa o projeto de duplicação da BR-304 com recursos públicos do Novo PAC.

    As obras foram divididas em diferentes lotes. Um dos trechos prioritários liga Mossoró a Assú, com 57,6 quilômetros e investimento estimado em R$ 367 milhões.

    Outro lote compreende 38,1 quilômetros entre Macaíba e Riachuelo. O contrato prevê aproximadamente R$ 204,4 milhões em investimentos.

    Também estão previstas obras complementares na Reta Tabajara, incluindo a conclusão da duplicação e a construção do acesso ao Aeroporto Internacional Governador Aluízio Alves. O investimento estimado é de R$ 78 milhões.

    Somados, esses contratos representam aproximadamente R$ 649,4 milhões.

    O Governo do Rio Grande do Norte informou que considera a duplicação da BR-304 uma prioridade e destacou que os trechos em andamento estão sendo financiados pelo PAC.

    Ainda não está esclarecido como uma possível concessão seria conciliada com as obras já contratadas pelo DNIT. O Governo Federal precisará definir se os serviços serão concluídos integralmente com recursos públicos ou se alguma obrigação será transferida para a futura concessionária.

    Essa separação será fundamental para impedir que investimentos já pagos pelo contribuinte sejam indevidamente utilizados para justificar tarifas mais elevadas.

    BR-101 fortalece integração entre Natal e João Pessoa

    O trecho da BR-101 entre Natal e a divisa com a Paraíba possui pista duplicada e funciona como um dos principais corredores de mobilidade e turismo do litoral nordestino.

    A rodovia conecta a Região Metropolitana de Natal ao litoral sul potiguar e à capital paraibana. Também recebe fluxo intenso de cargas, ônibus e veículos de passeio.

    Uma operação integrada poderá melhorar a manutenção da pista, o atendimento aos usuários e a gestão do tráfego entre João Pessoa e Natal.

    O projeto poderá ainda aproximar as duas regiões metropolitanas, estimular roteiros turísticos conjuntos e favorecer atividades nos setores de hotelaria, alimentação, transporte e serviços.

    Como parte desse trecho já possui pista dupla, a sociedade deverá conhecer com precisão quais novos investimentos justificariam a eventual cobrança de pedágio.

    Concessão pode gerar ganhos, mas contrato será decisivo

    A participação privada pode acelerar investimentos que o orçamento público nem sempre consegue executar na velocidade necessária.

    Rodovias bem conservadas reduzem acidentes, diminuem o desgaste dos veículos, aumentam a regularidade do transporte e ajudam empresas a planejar melhor suas operações.

    Por outro lado, uma concessão inadequadamente estruturada pode produzir tarifas elevadas, obras demoradas e obrigações insuficientes.

    O verdadeiro resultado dependerá de fatores como:

    • volume de investimentos contratados;
    • prazo para duplicação dos trechos;
    • localização das praças de pedágio;
    • valor cobrado dos usuários;
    • mecanismos de desconto;
    • fiscalização da ANTT;
    • qualidade do atendimento;
    • punições por atrasos;
    • transparência sobre o uso dos recursos.

    A concessão, portanto, não deve ser tratada automaticamente como solução ou problema. O ponto central será a qualidade do contrato e a capacidade do poder público de fiscalizar o seu cumprimento.

    Projeto deverá passar pelo debate público

    Enquanto os estudos não forem concluídos, as BRs continuarão sob responsabilidade do DNIT, que permanece encarregado da manutenção, conservação e execução dos investimentos públicos previstos.

    Se a viabilidade for confirmada, o projeto ainda deverá avançar para a definição da modelagem, audiência pública, análise dos órgãos competentes, publicação do edital e realização do leilão.

    Somente depois dessas etapas e da assinatura do contrato uma empresa poderá assumir a operação das rodovias.

    Para o Rio Grande do Norte, a discussão representa uma oportunidade de enfrentar problemas históricos de infraestrutura e segurança viária. Mas também exige vigilância da sociedade.

    O potiguar precisa saber quanto pagará, quais obras receberá, quando elas serão entregues e como o contrato protegerá quem utiliza diariamente as BRs 101 e 304.

    A modernização desses corredores poderá integrar o litoral e o interior, fortalecer a economia e salvar vidas. Para isso, a concessão precisará transformar eventual pedágio em melhoria concreta — e não apenas em mais um custo para a população.

    Por Redação Nordeste Consciente

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